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Os avanços da ciência no diabetes tipo 1 – uma doença autoimune

Uma ilustração microscópica de uma cadeia longa composta por pequenas moléculas com cinco agrupamentos esféricos de moléculas na cadeia em dois tons diferentes de roxo.
Proteção das células produtoras de insulina: nossa ciência tem como objetivo interromper a progressão da DM1 – uma doença autoimune

Há mais de um século, o tratamento do diabetes tipo 1 (DM1), o qual é uma doença autoimune, tem se baseado em um medicamento essencial: a insulina, injetada no tecido subcutâneo para ajudar a regular os níveis elevados de glicose no sangue. Mas, para as 9,2 milhões de pessoas no mundo que vivem com a DM1 autoimune, isso também significa uma rotina ininterrupta de manejo da condição — uma vigilância constante e um cuidado que permeia todos os aspectos da vida.  Estima-se que essas pessoas precisam tomar cerca de 180 decisões relacionadas à doença todos os dias1-3

Por muito tempo, os cientistas buscaram entender por que a DM1 autoimune parecia surgir sem explicação aparente. Com essa descoberta, uma nova abordagem científica e de cuidado tornou-se possível.

E é isso que estamos desenvolvendo.

Ao invés de reagir à doença, podemos dar um passo à frente e trabalhar para ajudar a manter o sistema imunológico sob controle.

Enfrentando o diabetes tipo 1 autoimune de forma diferente

Desde 1922, a DM1 tem sido tratada principalmente como uma doença endocrinológica, com foco na incapacidade do corpo de regular os níveis de glicose no sangue e manter seu funcionamento normal. Na DM1 autoimune, o problema central é a falta de insulina — o hormônio que permite que o organismo utilize a glicose como fonte de energia para células e órgãos. Por isso, ao longo das décadas, as pessoas têm controlado a doença por meio da reposição dessa insulina essencial1.

Após décadas de pesquisa, hoje sabemos que DM1 autoimune não é apenas uma doença endocrinológica.  Ela se desenvolve quando o sistema imunológico passa a atacar, por engano, as células saudáveis do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina —levando-as a deixar de funcionar4.

Nosso corpo possui um tipo de célula imunológica chamada células T, que em condições normais existem para nos proteger de agentes nocivos.  Na DM1 autoimune, o sistema imunológico passa a destruir progressivamente as células responsáveis pela produção de insulina4. Em alguns casos, esse processo ocorre de forma muito rápida. Mas, em muitos outros, o desequilíbrio do sistema imunológico pode levar meses — ou até anos — para destruir células de insulina suficientes a ponto de o organismo não conseguir mais produzir insulina em quantidade adequada para regular a glicose sangue. Como esse processo é lento em grande parte das pessoas, é possível viver longos períodos com a DM1 autoimune sem apresentar sintomas. Quando uma parcela significativa dessas células já foi destruída, os primeiros sinais da doença começam a surgir5-7.

Então, e se pudéssemos intervir para proteger as células produtoras de insulina, desacelerando — ou até interrompendo — o ataque das células T?  Isso poderia ajudar a prevenir a progressão natural da doença. Em vez de apenas reagir à DM1, podemos adotar uma abordagem proativa que ajude a manter a resposta imunológica sob controle.

Como estamos promovendo a ciência para melhorar vidas

Nosso legado em diabetes e nossas pesquisas focadas em imunociência nos permitiram compreender e identificar onde podemos interceptar a doença. Em vez de focarmos apenas na insulina, passamos a investigar o sistema imunológico para entender como podemos   intervir na doença ainda nos estágios iniciais de sua progressão.

Na prática, isso envolve direcionar a ação sobre as células T para reduzir sua atividade e, assim diminuir o ataque às células produtoras de insulina. Ao preservar essa produção por mais tempo, as pessoas podem ter mais tempo sem as mudanças permanentes e desgastantes que acompanham o início do diabetes clínico.

Tudo isso nos permite liderar uma nova era no tratamento da DM1 autoimune — uma era em que podemos ajudar a prevenir a progressão natural e, quem sabe, no futuro, interrompê-la por completo. O corpo humano é complexo, e diferentes componentes do sistema imune desempenham papéis distintos e sobrepostos que sustentam o ataque às células produtoras de insulina. É por isso que seguimos pesquisando diversas abordagens capazes de interceptar a DM1 autoimune o mais cedo possível.

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Referências

  1. International Diabetes Federation. Type 1 Diabetes. Available at https://idf.org/about-diabetes/types-of-diabetes/type-1-diabetes/. Last accessed: September 2025. 
  2. Parkkola A, Härkönen T, Ryhänen SJ, Ilonen J, Knip M; Finnish Pediatric Diabetes Register. Extended family history of type 1 diabetes and phenotype and genotype of newly diagnosed children. Diabetes Care. 2013 Feb;36(2):348-54.
  3. PhD, Aaron Breedlove. “The Mental Health Effects of Type 1 Diabetes.” Osu.edu, The Ohio State University, 13 June 2025, health.osu.edu/health/mental-health/managing-diabetes-and-mental-health.
  4. Diabetes. Beta Cells. Available at: https://www.diabetes.co.uk/body/beta-cells.html. Last accessed: September 2025.
  5. Insel RA, Dunne JL, Atkinson MA, Chiang JL, Dabelea D, Gottlieb PA, Greenbaum CJ, Herold KC, Krischer JP, Lernmark Å, Ratner RE, Rewers MJ, Schatz DA, Skyler JS, Sosenko JM, Ziegler AG. Staging presymptomatic type 1 diabetes: a scientific statement of JDRF, the Endocrine Society, and the American Diabetes Association. Diabetes Care. 2015 Oct;38(10):1964-74.
  6. American Diabetes Association Professional Practice Committee; 2. Diagnosis and Classification of Diabetes: Standards of Care in Diabetes—2025. Diabetes Care 1 January 2025; 48 (Supplement_1): S27–S49.
  7. DiMeglio LA, Evans-Molina C, Oram RA. Type 1 diabetes. Lancet. 2018 Jun 16;391(10138):2449-2462.

MAT-BR-2505615 | Dezembro 2025