
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição respiratória grave e, sem dúvida, um dos maiores desafios de saúde pública que enfrentamos globalmente considerando recursos, custos e vidas perdidas1-3.
Além do impacto físico debilitante, o estigma do tabagismo frequentemente gera sentimento de culpa e vergonha, afastando aqueles que mais precisam do cuidado e apoio4. Somado a isso, a surpreendente falta de inovações científicas ao longo de décadas, levou a DPOC a se tornar a quarta principal causa de morte no mundo1.
A nossa pesquisa científica tem como foco transformar essa realidade.
Uma nova forma de compreender a DPOC
A DPOC ocorre quando os pulmões sofrem danos que dificultam a respiração. Durante muito tempo, acreditava-se que o principal causador era o bloqueio das vias aéreas — o que é parcialmente verdadeiro. Mas não é a história completa. Descobertas recentes ajudam a explicar por que as vias aéreas ficam bloqueadas – e revelam que processos que ocorrem no sistema imunológico também desempenham um papel muito importante. É aí que entra a inflamação5.
A inflamação é um dos mecanismos fundamentais pelos quais o sistema imunológico nos protege. Trata-se de uma resposta à traumas, lesões e na proteção contra a presença de agentes estranhos, resguardando o nosso organismo a se proteger e eliminar possíveis invasores6.
Na DPOC, quando os pulmões estão danificados, inicia-se uma resposta inflamatória reativa — que é contínua e não cessa5.
Nossa compreensão aprofundada do sistema imunológico revelou que as mesmas vias inflamatórias presentes em diversas doenças autoimunes também são ativadas na DPOC7,8. Assim, as células imunológicas são recrutadas frente a diversos fatores ambientais como inalação da fumaça de cigarro ou da fumaça proveniente da queima de madeira ou carvão e mesmo da poluição ambiental, com o objetivo de proteger ou reparar o dano celular causado por esses fatores. Mas a continuidade e a cronicidade dessa reação ao longo do tempo, acaba sendo ainda mais prejudicial5. A inflamação crônica atua como responsável pelo estreitamento dos brônquios das vias aéreas pulmonares, torna a respiração mais difícil e continua provocando danos contínuos no tecido pulmonar, mesmo após o fator ambiental ter sido interrompido.9. Como consequência desses danos contínuos, a função pulmonar diminui, se deteriorando progressivamente e, em estágios avançados, a DPOC se torna uma doença potencialmente fatal.10
Nosso objetivo é transformar o tratamento para todos os pacientes e ajudá-los a ter mais controle sobre suas vidas.
Como estamos promovendo a ciência para melhorar vidas
Os sintomas da DPOC são variados e frequentemente intensos. Eles vão desde a falta de ar associada ao cansaço, chiado no peito e tosse persistente com muco (catarro), fatores que determinam prejuízo na realização das atividades diárias de mais complexas às mais simples, como caminhar, subir um lance de escada ou dormir 11,12. Um ponto de atenção importante é que a DPOC aumenta potencialmente o risco do surgimento de outras patologias13.
Entre as condições que podem estar associadas à DPOC, estão as doenças cardiovasculares, renais, oncológicas e neurológicas. Historicamente, os tratamentos buscaram aliviar a falta de ar e o cansaço, melhorando a troca de oxigênio - ou seja, focavam nos sintomas. A inflamação, grande responsável pela falta de ar e pelas crises crônicas permanecia em segundo plano.
Com o maior entendimento sobre as vias do processo inflamatório, essa abordagem mudou significativamente nos últimos anos, surge uma nova e ampla perspectiva, mais holística, através da introdução de terapias inalatórias combinadas. Atualmente somos responsáveis por liderar uma das frentes mais avançadas no entendimento da fisiopatologia da DPOC e do enfrentamento de doenças respiratórias.
A DPOC é considerada uma doença “heterogênea”: não há uma só causa, e ela se manifesta de diferentes maneiras em cada pessoa. Da mesma forma, o sistema imunológico é uma rede altamente complexa e interdependente, e a resposta inflamatória segue essa mesma lógica. Como fatores que impulsionam essa resposta variam entre indivíduos, é essencial explorar diversos mecanismos para encontrar soluções que funcionem para mais pessoas.
A nossa pesquisa se baseia na imunociência – uma abordagem que estuda as doenças a partir de suas causas biológicas, e não apenas seus sintomas – para compreender os múltiplos componentes dos mecanismos inflamatórios envolvidos na DPOC e como podemos tentar interrompê-los. Nosso objetivo é transformar o tratamento para todos os pacientes e ajudá-los a ter mais controle sobre suas vidas.
Isso significa aproximar a experiência de viver com DPOC da experiência de viver sem a DPOC — ajudando cada pessoa a respirar melhor, viver com mais plenitude e encontrar a segurança e a liberdade para realizar seus melhores sonhos.
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Referências
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MAT-BR-2505617 | Dezembro 2025
